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Caminho das Pedras ...

“… DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação." V. Ferreira

Caminho das Pedras ...

“… DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação." V. Ferreira

Porque a assinatura "CorteVale"?

Por tantas razões… enumerá-las seria quase impossível.

CorteVale é um vulcão de imagens, de emoções, mas também a quietude de um lugar com sentido…

CorteVale!


Lembra-me o Fiel, cão majestoso e seguro, que me deixou montá-lo quando tinha 4 anos.

Conduz-me à presa da Buraca, onde tantas vezes me refresquei, depois de longas horas de futebol na Portela,


Recorda-me o barro azul que apanhei na barreira junto ao ribeiro, com que moldava bonecos e figuras que levava para a escola da Ponte…

Ainda hoje saboreio diospiros que me lembram a frescura e a doçura da CorteVale.

Foi à Cortevale que o meu avô me mostrou uma camisa de cobra, que pus à volta do pescoço, julgando ser um cachecol largado por um avião que passava lá no alto!


Á CorteVale aprendi a raspar, a “escombarar”, a cavar… a dosear o esforço e a rilhar os dentes para aguentar as borregas nas mãos.

À Cortevale aprendi a guardar cabras, a sentir a sua afeição e a alegria das marradas dos cabritos,

Também à CorteVale aperfeiçoei a arte de fazer cola a partir dos botões de seiva das macieiras e das pereiras,

Fiz caravelas com conocos e camisas de maçarocas de milho… experimentei fumar barbas de milho… brinquei às carduçadas com os amigos da Costa… 

 

Assombrava-me quando tinha que ir à mina, assustava-me o esvoaçar do pássaro que fugia do fresco da penumbra da mina…


A porta do curral era um hino à reutilização dos materiais… uma palmilha de um sapato de borracha virou a dobradiça da porta!

E o Fiel conduzia as cabras para o curral e sentava-se à porta, barrando-lhes a saída!

 

À CorteVale saboreei couves e feijões comidos com um garfo de azinheira, feito pela minha avó!


À CorteVale poisava, estafado, os molhos de mato e de lenha que trazia do Vale dos Coelhos…

 

Hoje é um espaço aparentemente abandonado… A CorteVale… sempre que estou em São Jorge tento ir até lá… pela paz e serenidade interior que experimento, mas também pela energia que é libertada por tantos braços que trabalharam nesta breve planura…

 

A CorteVale faz-me evocar ainda milhares de outras imagens e emoções… pessoas, vozes, olhares, entreajuda… sensações de confiança, também de angústia, de medo…e de esperança…

 

A CorteVale é um lugar sagrado para mim… dá sentido a todo o meu ser!

 

cortevale@sapo.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

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