Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

São Jorge Antigo VI

A SAGA DA CONSTRUÇÃO DA IGREJA!

 

Antes e durante a construção da "nova Igreja" organizaram-se inúmeros ranchos de oferendas, onde as Aldeias Anexas à freguesia de Cebola marcaram presença....

 

 

Cestos, çafaites (açafates) e cabazes cheios de oferendas - queijos, chouriços, presuntos, aguardentes, e mesmo... oiro, para não falar nas notas de 50, 100 e mesmo de 1000 escudos, fixadas por alfinetes nas lapelas dos casacos dos homens da terra!...

 

 

Lembro, vagamente, uma procissão iniciada já na igreja nova e com um andor (presumo que de São Jorge), carregado e tapado de notas... revejo uma vaga imagem de um único envelope no meio das notas que cobriam todo o andor do padroeiro!...

 

Alguém terá tido o cuidado (e o prurido) de não ostentar notas na imagem do santo e daí este gesto de discrição... ainda criança, registei este comportamento de um(a) Sãojorgense anónimo(a)?... gostaria de saber quem foi que teve esta atitude... Claro que por modéstia, já visível no gesto do envelope, presumo que essa pessoa preferirá continuar no anonimato!...

 

 

À esquerda, a congestionar "a procissão", parece estar a "furgoneta dos Almeidas", esse eterno veículo que, de gemido em gemido e soluço em soluço, subia até à Eira e nunca deixou os condutores mal colocados...

 

Era como o Táxi do Ti Camilo... devagarinho e soluçando lá ia para todo o lado! 

 

E eu enjoava que me fartava, pois no meio dos solavancos, cheiro a gasóleo e os cigarros do Ti Camilo, era impossível manter o estômago calmo!...  

 

publicado por CorteVale às 12:05
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1 comentário:
De Vitor a 25 de Agosto de 2007 às 11:53
Atentem na 3ª foto, a da "furgoneta dos Almeidas". A casa de pedra do lado direito, com varanda "engalanada"!!!! Deve ter na varanda a Tia Irene, a filha Natália, na primeira janela o Tio Augusto Ramos e um dos os filhos o Tonito ou o Augusto (já falecido) a espreitar envergonhados na segunda janela (Visitei o tio Augusto e a tia Irene à 3 anos em Vancouver! Ainda bem conservados!)

Uma curiosidade. Era bem pequeno, visitava muitas vezes a casa da família Ramos, porque a Natália é afilhada da minha mãe e nós tínhamos a loja em frente. Modéstia à parte, a tia Irene, também gostava muito de mim (pude constatá-lo na visita que fiz questão de lhe fazer recentemente), o tio António, quando vinha do trabalho na Barroca, trazia-me no pedal da bicicleta (não era para todos!). Mas vamos à curiosidade, no blog da Fina da Mina discute-se o ano em que a luz foi inaugurada em Cebola! Datas à parte, posso adiantar que a luz teve um aparecimento gradual e foi sendo um bem essencial conforme as posses de cada um. Pois, eu fui convidado para assistir à inauguração da luz na casa (da foto) da família Ramos.
Era Inverno, anoitecia e chovia. “Troc… troc...” no “ferrolho” da porta e logo a voz doce da ti Irene: “Ó comadre, subi!”. Sentada à mesa, estava reunida toda a família, fixada no “janelo” de madeira entreaberto que ainda deixava penetrar uma réstia de claridade. Pendurado do tecto, negro do fumo da “chapa”, luzia um candeeiro branco, suportado pelo fio da mesma cor, que facilmente nos conduzia, pelo tecto e ao longo da parede ao interruptor (de rodar)!
“Sentai-vos e comei alguma coisa!”, “obrigado comadre, mas vamos já para baixo, a minha mãe está à nossa espera e a carreira já chegou…”, retorquiu a minha mãe que continuou, olhando para a afilhada e para os rapazes, “…então não comem?... comam, não façam cerimónia!” . “Comadre, só querem comer com a luz acesa e o compadre não quer gastar luz enquanto for dia” diz a ti Irene, “… só para a instalação e para a lâmpada foram…”, continuou. Condescendências à parte (não me lembro se as houve), a luz lá se acendeu e a magia daquele fio incandescente logo prendeu a atenção daqueles seis olhos, que devem ter comido a sopa sem olhar para o prato!
“Por agora ficou só na cozinha, depois pomos na sala… para a Páscoa!... Quando cá vieres “beijar” já tenho luz na sala!”

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