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Caminho das Pedras ...

“… DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação." V. Ferreira

Caminho das Pedras ...

“… DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR. Da minha língua ouve-se o seu rumor, como da de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi a da nossa inquietação." V. Ferreira

Histórias de São-jorgenses I

 

Um São-jorgense com Assinatura!


Devo-lhe esta crónica!
 
Propositadamente não revelarei o seu nome. Pouco importará. Também não acredito que ele se importe!
Falo de um São-jorgense que me marcou e com quem tive o privilégio de partilhar ideias, reflexões e me tocou pela sua humildade, paciência, capacidade de ouvir e sabedoria nas perguntas profundas e inteligentes que tão bem sabia colocar.
Ainda recordo a sua voz coloquial, bem colocada, usando as palavras precisas, quase imbatível nos diálogos e combate de ideias… ora usando um tom irónico, ora se socorrendo da lógica ou das questões penetrantes e profundas com que desenvolvia uma argumentação fundamentada, nada arreigada a crenças e… acima de tudo, não usando, nem abusando do seu estatuto de “mais velho” e de senhor duma cultura imensa!
O seu olhar vivo e penetrante, acompanhado pelo tom alegre e provocador que emprestava às questões e argumentos com que me interpelava constituíam um imenso desafio que não podia deixar de aceitar durante as férias grandes e pela fresca, depois das tórridas tardes de verão que arrasavam São Jorge!
Anos 70 e anos 80, pelo verão este ilustre são-jorgense vinha carregar baterias à nossa aldeia, descansando das suas lides eborenses… Desconheço pormenores da sua actividade e ele próprio era muito parco nos comentários sobre os seus afazeres profissionais e evitava falar disso, desviando elegantemente a conversa,  quer nas cavaqueiras no Sorna, quer nestes passeios que dávamos à tardinha!...
Mesmo nas discussões sobre autores latinos e cultura romana não invocava quaisquer estatutos, não puxava de galões, nem me lembro de alguma vez ter invocado as suas credenciais e estudos realizados; só muitos anos mais tarde me apercebi de que nestes passeios eu questionava e tentava explorar contradições de um eminente latinista e paleógrafo, pois foi co-autor da famosíssima tradução da legenda latina e sua localização no Novo Testamento!
Pouco importa que tenham dado o seu nome a uma modesta rua nos arredores de Évora, cidade onde viveu grande parte da sua vida…
Tento imaginar os passeios que daria em Roma, nas proximidades do Vaticano, já que foi aluno e trabalhou no Pontifício Colégio Português, sito na Via Nicoló V, a dois passos da Basílica de São Pedro.
 
Também o imagino a observar casais apaixonados junto à Fontana di Trevi e acredito piamente que passaria horas deleitado a observar os relevos históricos da epopeia narrada na famosíssima Coluna de Trajano!...
Certamente teve acesso às catacumbas da Basílica do Vaticano, onde estão sepultados os Papas e terá sido tocado por uma paz interior especial quando em presença do humilde sarcófago de São Pedro, iluminado por luz ténue, logo após os degraus em caracol que se iniciam na porta discreta, situada no piso principal da Basílica, mas disfarçada na enorme coluna de mármore que se ergue quase a meio, em frente e à esquerda de quem entra neste enorme espaço sacro.
Terá ainda contemplado a soberba La  Pietá de Miguel Ângelo que repousa à entrada, do lado direito da Basílica… o sofrimento real duma mãe impotente com o filho morto ao colo!  
Este São-jorgense sabia ouvir e era mestre a colocar questões que testavam a nossa segurança e argumentos, sem nunca menorizar o meu raciocínio ingénuo e idealista que, naqueles tempos, povoava a maioria das mentes inquietas dos jovens São-jorgenses!....     
As conversas estimulantes sobre filosofia e psicologia e sobre as pequenas coisas da vida e do nosso quotidiano conturbado dos anos setenta alimentavam quer longas conversas à cruz-da-rua, quer os diálogos que enchiam de prazer os passeios que fazíamos até à ponte, à capela e às eiras-das-casas…
Nos anos 80, mais concretamente entre finais de 86 e princípios de 87, assinou 7 crónicas em “O Mineiro” sobre São Jorge.
Tive acesso a estas publicações porque o meu pai as recortou e guardou religiosamente em álbum próprio; mais abaixo reproduzo imagens de algumas destas crónicas que merecem ser destacadas e apresentadas na mostra fotográfica que se pretende realizar brevemente em São Jorge!!!
Trata-se de informação histórica muito preciosa sobre a vida, os habitantes e os costumes de São Jorge Antigo que importa conhecer, divulgar e tentar preservar.
Vejamos uma síntese de cada uma das 7 crónicas publicadas por este São-jorgense que pesquisou e interpretou os registos, anotações e descrições constantes num livro muito especial, de enorme valor, e guardado na nossa Igreja Paroquial - O CÓDICE DE CEBOLA.
Crónica I - São jorge da Beira - Um Códice de Aldeia 

 

 
uma imagem de qualidade modesta do Códice de São Jorge, que começou a ser organizado em 1762 e é composto, segundo a narrativa deste São-jorgense, por 150 folhas, de grande formato, laboriosamente anotadas pelos párocos que serviram na nossa Aldeia....

 
Crónica II - Matrizes e Filiais - Antes de ser paróquia Cebola pertenceu outras paróquias... com histórias bem curiosas!!! 

 
Crónica III - As iniciativas e incidentes que conduziram à Criação da Paróquia em Cebola...

 
Crónica IV - Detalhes  e pormenores sobre a autorização histórica da Rainha D. Maria I para a construção da Igreja (velha) e curiosidades sobre a Igreja Nova...

 
... foi demorada a construção da Igreja em Cebola... difíceis eram os tempos!

 
Crónica V - A vida dos Curas e as dificuldades em angariar sustento...

 
Crónica VI - Usos e Costumes relativos às liturgias e rituais religiosos... muitos são os detalhes!

 
Crónica VII - Pormenores da diocese e visitações dos bispos a Cebola... com referências às invasões francesas!!!

 

 Esta preciosa pesquisa, realizada por este ilustre São-jorgense, poderia ser transcrita e apresentada na mostra fotográfica, a realizar (espera-se) a breve prazo... Seria interessante que alguém com tempo e conhecimentos pudesse aceder ao CÓDICE e aprofundasse esta investigação, pois o nosso interessante conterrâneo lamenta, por vezes, não ter tido o tempo suficiente para uma análise e interpretação mais profundas...

 

Haverá alguém que aceite este Repto? Continuar esta valiosíssima Pesquisa sobre o nosso passado comum? 

 

(Re)Vejo a face alegre e os olhos brilhantes deste sábio São-jorgense que certamente ficará entusiasmado se alguém continuar o seu trabalho.

 

Quem aceita este Legado?

 

 

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